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VOLUNTARIADO DE TODOS PARA TODOS

“Quando a solidariedade entre pessoas não tem fins egoístas, quando a reciprocidade já não tem o sentido de contrato que a transforma numa paridade de intercâmbio entre interlocutores de força diferente, mas converte-se num dar que não espera resposta, e que é recompensado de forma inesperada, é então que se cria entre as pessoas uma situação em que o trabalho do homem desemboca na criatividade” (Ferrucci, s.d, cit. por Bouzas & Nueve, 2001).

Atualmente o estado tem apostado na implementação e difusão desta ação, criando programas e apoios a entidades e cidadãos que queiram dar um pouco da sua sabedoria, vontade de ajudar/colaborar junto da sociedade.

A ação de voluntariado pode dirige-se a situações de doença, pobreza, saúde, entre outros. Deste modo, encontra-se aqui presente uma vinculação com as políticas sociais existentes, tais como, políticas de saúde, de trabalho, de integração do sujeito na sociedade. Por exemplo, associações que prestam serviço em hospitais públicos e que estão integrados no sistema nacional de saúde. Desta forma, o voluntariado integra-se por essa via na política social da saúde.

Apesar da ação voluntária não ser subsidiada, acaba por muitas vezes fazer o mesmo serviço que outros profissionais que são remunerados, tal como se pode interpretar pela seguinte citação: “A gratuidade, como atitude do voluntário, responderia justamente a uma lógica oposta: a solidariedade vale tanto que não tem preço; a atividade autónoma e criativa é tao valiosa é tão profundamente satisfatória que está acima do salário das horas extraordinárias; a busca de novas formas de vida, o processo de organização comunitária…,tem um sentido tão profundamente humano e é de urgência social e política tão premente que atribuir-lhe necessariamente um preço é menosprezá-la. Por isso a gratuidade não tem nada a ver com o desinteresse” (Villalta, s.d, cit. por Bouzas & Nueve, 2001).

Bouzas e Nueve (2001) referem que voluntariado não é caridade pelo menos da forma que se tem vivido nos últimos anos. Caridade é o profundo amor da solidariedade, no entanto ao longo da história o significado sofreu alterações sendo encarado como uma ajuda por mera esmola. Obviamente que voluntariado social não é fazer este tipo de caridade mas sim tentar procurar soluções ou melhorias para resolver a situação/realidade.

Atualmente verificamos em diversas ocasiões do dia a dia atitudes de paternalismo, onde as pessoas expressam submissas, carentes e egoístas. Deste modo, o voluntariado não é paternalismo, pois encara a ajuda junto daqueles que são os oprimidos, desprezados pela sociedade incentivando a torna-los sujeitos ativos das suas próprias vidas, a ganharem consciência da sua sabedoria e capacidade para agir e lutar contra a sua própria descriminação. É importante aqui ajuda-los a resistir no sentido de os tornar pessoas mais maduras e independentes daquilo que foram submetidos.

Neste sentido, o voluntariado encontra-se ao serviço (contributo) dos indivíduos, famílias e comunidades em prol da melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das populações (Conselho Nacional Para a Promoção do Voluntariado, 2002). Este serviço é entendido pela realização (de forma desinteressada) por um conjunto de ações de interesse social e comunitário. O voluntariado é desenvolvido através de projetos e programas de entidades públicas e/ou privadas com a possibilidade de integrar voluntários, envolvendo entidades promotoras. A decisão livre e voluntaria, por motivações e opções pessoais caracterizarem o voluntario (Conselho Nacional Para a Promoção do Voluntariado, 2002).

A Solidariedade é um principal aspeto mobilizador do princípio fundamental do voluntariado, que pode ser definido como uma contribuição (sem presença do lucro ou beneficio), prestada por indivíduos, através de organizações, a beneficiar a comunidade (Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária, 2009). Para o Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária (2009) voluntariado é “um compromisso, não remunerado, através de uma ação concreta, continuada e enquadrada, com base na tomada de consciência das desigualdades e diferenças que, enriquecendo e aprofundando as referências e valores de cada um, conduz a uma participação ativa com os indivíduos e a sociedade, tornando-se uma forma de estar”.

Bouzas, M., & Nueve. (2001). Em busca de uma definição, Que é…O Voluntariado (pp.11-16). Lisboa: Paulinas.

Conselho Nacional Para a Promoção do Voluntariado (2002). Guia do voluntário. Lisboa: Instituto para o Desenvolvimento Social.

Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária (2009). III Curso de Formação Geral para o Voluntariado [CD]. ISU: Viseu